O FESTIVAL DE WESAK



Cura e Ascensão - FESTIVAL DE WESAK

O FESTIVAL DE WESAK

PLENILÚNIO DE MAIO 07/05/2020 às 07:45 horário de Brasília

A ocasião escolhida para este prodigioso jorro de energia é a da lua cheia do mês indiano de Vaisakh (chamado Wesak no Ceilão), que comumente corresponde ao nosso mês de Maio, quando ocorre o aniversário de todos os acontecimentos mais importantes de sua vida terrena: o seu nascimento, seu atingimento do Budado, e seu desenlace do corpo físico.
Em conexão com esta sua visita, e inteiramente à parte de sua tremenda significação esotérica, realiza-se uma cerimônia exotérica no plano físico, em que o Senhor efetivamente se mostra na presença de uma multidão de peregrinos comuns. Se ele se mostra aos peregrinos eu não sei; eles se prostram no momento em que ele aparece, mas pode ser apenas em imitação à prostração dos Adeptos e de seus discípulos, que vêem o Senhor Gautama. Parece provável que pelo menos alguns dos peregrinos o tenham visto pessoalmente, pois a existência da cerimônia é amplamente conhecida entre os budistas da Ásia Central, e é referida como sendo a aparição da Sombra ou Reflexo do Buda. (...)
Todos os membros da Grande Fraternidade Branca, exceto o Rei e seus três discípulos, assistem habitualmente à cerimônia, não há motivo para que qualquer de nossos ardorosos irmãos teosofistas não pudessem presenciá-la em seus corpos astrais. Aos que se confiou o segredo, procuram geralmente dispor as coisas de maneira a fazer seus corpos físicos adormecerem mais

menos uma hora antes do momento exato da lua cheia, e não serem perturbados até cerca de uma hora depois.

O VALE

O lugar escolhido é um platô rodeado de colinas não muito altas, ao norte dos Himalaias, não longe da fronteira de Nepal e talvez a uns 640 quilômetros a oeste da cidade de Lhassa.


O pequeno platô é de configuração toscamente oblonga, de uns dois quilômetros de comprimento por um pouco menos de largura. O terreno declina ligeiramente do sul para o norte, e é na maior parte árido e pedregoso, salvo cm alguns pontos cobertos de basta e achaparrada vegetação. Um riacho corre pelo lado ocidental do platô, atravessa o seu ângulo noroeste e sai pelo meio do lado setentrional, através de um desfiladeiro coberto de pinheiros, até atingir um lago a uns quilômetros de distância. A região circundante parece silvestre e inabitada, não havendo à vista nenhum edifício, a não ser duas ou três choças junto às ruínas de uma stupa nas fraldas de uma das colinas do lado oriental do platô. Perto do centro da metade oriental há, à guisa de altar, um enorme bloco de granito cinzento branco com betas de uma matéria brilhante, de uns quatro metros de comprimento por dois de largura, e elevando-se a um metro sobre o solo. (...)

A CERIMÔNIA

Cerca de meia hora antes do momento do plenilúnio, a um sinal do Mahachohan, os membros da Fraternidade se reúnem no espaço livre do centro do platô, ao norte do altar, e colocam-se em três filas num amplo círculo, de frente para o altar, estando o círculo externo composto dos membros mais novos da Fraternidade, e ocupando os Oficiais superiores certos pontos no círculo interno.

Depois se cantam em idioma páli alguns versículos das Escrituras budistas, e ao terminar o canto materializa-se o Senhor Maitreya no centro do círculo, com o Cetro do Poder na mão. Este maravilhoso símbolo é de alguma maneira um centro ou fulcro físico para as energias vertidas pelo Logos Planetário, e foi magnetizado por Ele há milhões de anos quando pela primeira vez pôs a onda de vida humana em movimento ao redor de nossa cadeia de mundos.

Foi-nos dito que o Cetro de Poder é o sinal físico da concentração e atenção do Logos, e que ele é transportado de planeta para planeta à medida que essa atenção se desloca, e que onde ele se acha, esse é, no momento, o palco central da evolução, e que quando ele passar deste planeta para o próximo, nossa terra mergulhará em relativa inércia. Ignoramos se o Cetro é também transportado para globos não físicos, e também ignoramos a maneira de usá-lo, nem a parte que desempenha na economia do mundo. Comumente está ao cuidado do Senhor do Mundo, em Shamballa, e tão-só o emprestam ao Senhor Maitreya por ocasião do festival de plenilúnio de Wesak. É um cilindro de metal desconhecido dos químicos terrenos, chamado oricalco, de uns sessenta centímetros de comprimento por cinco de dia metro, tendo engastado em cada extremidade um grosso diamante talhado em forma de esfera projetada em ponta cônica, e sempre parece rodeado de uma aura de brilhante e transparente chama. É de se notar que durante a cerimônia unicamente o Senhor Maitreya o toca e maneja.

Ao materializar-se o Senhor Maitreya no centro do círculo, todos os Adeptos se inclinam reverentemente ante ele, e conta-se outro versículo. Enquanto perdura o canto, o círculo interior de Adeptos se divide em oito segmentos para formar uma cruz dentro do círculo exterior, cujo centro continua sendo ocupado pelo Senhor Maitreya. No imediato ato seguinte deste pomposo ritual, a cruz se converte em triângulo, em cujo vértice, próximo do altar, se coloca o Senhor Maitreya. Sobre o altar ele deposita, reverentemente, o Cetro de Poder, no espaço contíguo à concha de ouro, e o triângulo de Adepto se transforma numa figura curva, em que todos ficam de frente para o altar. No movimento seguinte, a figura curva se transmuta num triângulo invertido, tal qual o emblema da Sociedade Teosófica, embora ,,rui a serpente. O triângulo invertido muda-se depois na estrela Ir cinco pontas, cujo vértice meridional próximo do altar é
ocupado pelo Senhor Maitreya, e os demais dignitários ou Choham ocupam os cinco pontos de intersecção dos lados. Acrescentamos aqui um diagrama das figuras simbólicas, já que não é fácil descrever algumas delas.

Ao chegar a este sétimo e final ato, cessa o canto, e após alguns instantes de solene silêncio, o Senhor Maitreya empunha o Cetro de Poder, e levantando-o acima da cabeça, exclama com voz sonora, em língua páli:

— Tudo está pronto; vem, Mestre!
Depois, ao depor de novo o ígneo Cetro, no exato momento do plenilúnio, aparece o Senhor Buda como uma gigantesca figura flutuando no espaço precisamente acima das colinas meridionais. Os membros da Fraternidade se inclinam com as mãos juntas e a multidão atrás deles se prostra de rosto no solo, e assim permanece enquanto os cantores entoam os três versículo que o próprio Buda havia ensinado ao aluno Chatta durante a sua última vida terrena:


 FESTIVAL DE WESAK | CARMEN ARABELA

O Senhor Buda, o Sábio dos Sákyas, é o melhor dos Instrutores da humanidade. Ele fez o que tinha de fazer e passou para a outra orla (o Nirvana). Ele está cheio de fortaleza e energia. Eu tomo por guia o Bem-aventurado Ser.

A MAIOR BÊNÇÃO


Depois a multidão se levanta e contempla a presença do Senhor enquanto a Fraternidade canta em benefício do povo as nobres palavras do Mahânangala Sutta, que foi assim traduzido pelo professor Rhys Davids.

Em seu anseio pelo bem, muitos devas e homens Têm ressaltado várias coisas dignas de bênçãos; Esclarece-nos, pois, ó Mestre, qual é a maior bênção?

Não servir os insensatos,
Mas servir os sábios;
Honrar os merecedores de honra: Esta é a maior bênção.
Morar em país ameno,
Ter feito boas obras num nascimento anterior, Ter uma alma cheia de retos desejos:
Esta é a maior bênção.
Muito discernimento e muita educação, Domínio próprio e mente bem disciplinada, Palavras amáveis e bem ditas:
Esta é a maior bênção.
Ajudar o pai e a mãe,
Acarinhar esposa e filho, Seguir uma vocação pacífica: Esta é a maior bênção.
Dar esmolas e viver retamente, Auxiliar os parentes,
Praticar atos irrepreensíveis; Esta é a maior bênção.
Abominar o pecado e cessar de praticá-lo, Abster-se de bebidas embriagantes, Ser incansável na prática do bem:
Reverência e humildade,
Contentamento e gratidão,
Ouvir a Lei nas ocasiões devidas: Esta é a maior bênção.
Ser longânimo e dócil,
Associar-se aos tranqüilos,
Palavras religiosas nas ocasiões devidas: Esta é a maior bênção.
Autodomínio e pureza,
Conhecer as Quatro Nobres Verdades,
Realizar o Nirvana: Esta é a maior bênção.
Sob o golpe das mutações da vida Manter-se a alma incomovível,
Sem paixão nem tristeza, mas segura: Esta é a maior bênção.
Em todas as partes invencível É aquele que assim procede;
Em todas as partes ele anda seguro, E sua é a maior bênção.


A figura que flutua sobre as colinas é de enorme tamanho, mas reproduz exatamente a forma e características do último corpo que o Senhor usou na terra. Ele aparece com as pernas cruzadas e as mãos juntas, vestido com o manto amarelo dos monges budistas, mas deixando desnudo o braço direito. Não é possível descrever exatamente o aspecto do rosto, em verdade divino, pois harmoniza a sabedoria e o amor, a serenidade e a fortaleza numa só expressão, que reúne tudo quanto podemos imaginar de divino. A cor do rosto é branco-amarela e os traços claramente delineados. A fronte larga e nobre; os olhos rasgados, brilhantes e intensamente azuis; o nariz levemente aquilino; os lábios vermelhos e firmemente cerrados. Mas tudo isto só nos mostra a máscara corpórea e apenas nos dá uma idéia do vívido conjunto. O cabelo é preto, quase azulado, mas não comprido como se usava na Índia, nem rapado como o dos monges orientais, senão cortado até um pouco antes de chegar aos ombros, partido pelo meio e estendido da frente para trás. Diz-se que quando o príncipe Siddartha deixou o lar paterno em busca da verdade, agarrou sua longa cabeleira e cortou-a acima da cabeça com um golpe de sua espada, e que desde então a conservou no mesmo comprimento.

Uma das mais surpreendentes características desta maravilhosa aparição é a esplêndida aura que circunda a figura. Dispõe-se em esferas concêntricas, tal qual as auras de todos os seres altamente evoluídos; sua configuração geral é a mesma da do Ara mostrada na Lâmina XXVI do livro Homem Visível e Invisível, mas a disposição de suas cores é única. A figura está englobada de luz que é ao mesmo tempo algo deslumbrante a transparente; tão brilhante que a vista dificilmente pode fixar-se nela, e no entanto através dela o rosto e a cor do manto se distinguem com perfeita clareza. Circunda tudo isso uma faixa de glorioso ultramarino; depois, em sucessão, ouro-amarelo, riquíssimo carmesim, puro branco-argênteo e um magnífico escarlate; todos são por certo realmente esferas, embora aparentando faixas quando observados contra o céu. Irradiando em ângulos retos, fora de todos estes, estão os raios de todos os matizes entremesclados, e disseminados com cintilações de verde e violeta, como observamos ao atentar para o nosso frontispício.

Estas cores, em exatamente nesta ordem, são descritas em antigas escritura budistas como constituindo a aura do Senhor; e quando, em 1885, se reputou desejável encontrar-se uma bandeira especial para os budistas do Ceilão, nosso Presidente-Fundador, coronel Olcott, em consulta com os irmãos cingaleses em Colombo, desenvolveu a idéia de utilizar para esse fim esse mesmo agrupamento de cores. Diz-nos o coronel que alguns anos antes ele havia aprendido do embaixador tibetano junto ao Vice-rei da índia, que encontrou em Darjeeling, que as cores são as mesmas figurantes na bandeira do Dalai Lama. A idéia deste estandarte simbólico parece haver sido amplamente aceita; eu próprio o vi em templos budistas, em lugares muito afastados como Rangoon e Sacramento, na Califórnia. (...)
Ao terminar o canto, um sorriso de inefável amor reluz no rosto do Senhor ao erguer sua mão direita em atitude de bênção, enquanto que uma chuva de flores cai entre a multidão. De novo os membros da Fraternidade se inclinam, de novo a multidão se prostra, e a figura se desvanece lentamente do céu, enquanto a multidão prorrompe em exclamações de júbilo e louvor. Os membros da Fraternidade se aproximam do Senhor Maitreya por ordem de categoria e vão tomando um sorvo de água da concha de ouro, ao passo que o povo sorve a sua, levando para casa a restante em seus singulares frascos de couro, como água santa para afugentar todas as más influências de suas casas, e talvez curar moléstias. Depois a vasta multidão se dissolve com mútuas congratulações, e o povo leva para seus distantes lares uma inefável recordação da maravilhosa cerimônia de que participaram.

Excerto do Livro "Os Mestres e a Senda", de C.W.Leadbeater, pg.s 269-279, Ed.Pensamento