O VERDADEIRO AMOR

     Nesta semana vamos falar sobre um tema muito conhecido, porém também controverso, uma vez que em seu nome se comete as mais absurdas ações. Claro que todos já perceberam que é o Amor. E como nós trabalhamos com Terapia Holística, esse tema sempre vem à baila tanto com clientes como com nossos alunos. 

    Na Numerologia Cármica, que é um estudo pitagórico sobre a jornada que a Alma faz aos níveis mais densos de manifestação, percebemos como as pessoas portadoras de frequências numéricas que as levam a desenvolver o amor, seja pela família, comunidade ou pela humanidade, acabam vibrando no negativo ou extrapolam esse sentimento, por não saber exatamente o que ele é. 

    Por  isso, optamos por desenvolver por alguns dias o tema O Verdadeiro Amor, que trata sobre o amor icondicional. Esse amor se faz presente nas vibrações numéricas 6 e 9, onde almas antigas, as quais já trazem muitas experiências de outras vidas, devem aprender a vivenciar essas altas frequências energéticas.

    Acreditamos que um autor que trabalha muito bem esse tema é Raul Branco, no seu livro A Essência da Vida Espiritual. 

  Convidamos a todos a refletir sobre esse tema, principalmente os que trabalham com a Terapia Holística e precisam identificar as causas do males que afetam os seus clientes, que muitas vezes é a falta de amor seja por medo, egoísmo ou por ter um entendimento errôneo do que seja o Amor. 




    "Falamos muito sobre amor, mas conhecemos pouco sobre o verdadeiro amor, o amor incondicional. Em primeiro lugar, o amor não é meramente um sentimento, um interesse, uma atração ou mesmo uma paixão por outra pessoa. O verdadeiro amor é divino, sendo sua plena expressão um aspecto da culminação do progresso espiritual.

     De todas as qualidades que ATRIBUÍMOS a Deus, o amor é a mais tocante e que mais nos atrai. Essa atração deve-se ao fato de o amor ser uma das energias mais fundamentais da Manifestação. Com o início do processo de emanação, o UNO passou a se manifestar nas inumeráveis formas do mundo exterior em constante expansão. A Providência Divina, em sua infinita sabedoria, fez surgir concomitantemente uma força harmonizadora da tendência separatista da percepção no mundo material que estava sendo criado. O amor, portanto, é uma expressão dessa força, conhecida como a Lei universal da atração, que se manifesta de inúmeras maneiras em todos os níveis e planos da natureza. (...)

   Apesar da vivência do amor suscitar vários sentimentos profundos, seria difícil definir o amor. Sabemos, no entanto, que o verdadeiro amor inclui pelo menos quatro aspectos complementares: (1) aceitar as pessoas como elas são; (2) perdoar; 

    (3) desejar de coração o bem do outro; e (4) fazer o que estiver ao nosso alcance para promover a verdadeira felicidade das outras pessoas, sejam elas nossos parentes e amigos ou não. Cada um desses aspectos oferece consideráveis dificuldades de expressão para as pessoas egoístas. O egoísta acredita que o amor é uma moeda de troca: 'eu te amo se tu me amas; se deixares de fazer o que eu espero de ti, deixarei de te amar'.

  Antes de examinarmos cada um desses quatro aspectos fundamentais interconectados do amor, vale a pena lembrar o ensinamento basilar de Jesus quando lhe perguntaram: 'Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?' Ele respondeu: 'Amarás ao Senhor teu Deus dodo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento; é o primeiro e o maior mandamento. O segundo é semelhante a esse: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os [ensinamentos dos] profetas estão contidos nestes dois mandamentos'. Vamos examinar inicialmente o que parece estar mais ao nosso alcance, ou seja, o amor ao próximo (...).

     O que salta aos olhos na formulação do segundo mandamento nos instando a amar o próximo? A implicação mais óbvia (e negligenciada) é o padrão estabelecido para amar o próximo, que é AMÁ-LO COMO A NÓS MESMOS. O Mestre só indicaria a necessidade desse padrão se houvesse algum questionamento sobre nosso amor a nós mesmos. Vale então questionar: será que realmente amamos a nós mesmos?

     Quando examinamos os inúmeros hábitos destrutivos que os seres humanos desenvolvem, entendemos a razão do alerta do Mestre. AQUELE QUE destrói sua saúde com o uso de álcool, fumo, drogas, entorpecentes e hábitos alimentares prejudiciais, QUE é sedentário e não tem períodos de sono salutar, QUE está sujeito a explosões de raiva e ódio ou a períodos de tristeza e até mesmo de depressão, certamente não ama a si mesmo.

    Mas a falta de amor a si também se expressa de forma mais sutil. Muitas pessoas desenvolvem um sentimento de desamor por si mesmas, sentindo, ainda que de forma inconsciente, que não merecem ser felizes. Algum evento traumático em seu passado deixou uma crença que gerou um condicionamento inconsciente de que elas não são suficientemente boas, ou mesmo que são indignas e, portanto, que carecem de méritos para ser felizes. Com isso atraem a infelicidade que julgam lhes ser devida. A dor gerada por esses traumas é tão grande que o indivíduo torna-se incapaz de lidar com a situação de forma proativa e recolhe-se como um tatu para dentro de sua carapaça buscando proteção, gerando com isso mais um elemento de seu lado sombra."


Raul Branco, A Essência da Vida Espiritual, Editora Teosófica, Brasília, 2018, pgs 40/41




A TRÍPLICE TRANSFORMAÇÃO

        Reconhecidamente por muitos pesquisadores não só da filosofia oculta, mas também cientistas, de que os problemas que o homem tem gerado pela sua mente não se resolvem no mesmo nível. A solução sempre estará em níveis superiores. 

      Quando se começa a investigar a origem dos problemas, percebe-se que a solução não está num movimento linear, como fala o autor. O homem moderno está sendo instado a solucionar seus problemas psicológicos, prova disso é que temas como a busca interior, o autoconhecimento já é uma voz corrente por aqueles que sentem necessidade de uma resposta mais profunda para seus questionamentos.

      Um fator importante para a necessidade que o homem nos dias de hoje tem de refletir é a relação do cérebro-mente, o que cada um é e como se dá o funcionamento do nosso cérebro em relação à evolução humana. 

        O tema é interessante não só para os interessados em meditação, mas para todos que desejam ampliar seu conhecimento sobre si mesmo, inclusive para os terapeutas holísticos que precisam entender o ser humano como um todo: espírito, mente e físico.

        Leia o excerto, que acredito que irá gostar.



    "Em qualquer ato de meditação três fatores estão envolvidos. Primeiro, o cérebro e seu funcionamento; segundo, os padrões de comportamento e o funcionamento do mecanismo do hábito; e terceiro, a mente e sua qualidade. A tríplice transformação exige que deva haver mudança no funcionamento do cérebro, no funcionamento do mecanismo do hábito e no funcionamento da mente. Deve-se notar com clareza que mente e cérebro não são idênticos. Há ainda uma controvérsia em andamento nos círculos científicos e psicológicos sobre se são idênticos; e se não são, como estão relacionados entre si? Tem havido muitas teorias como Epifenômeno e Paralelismo, nas quais não precisamos adentrar. Basta dizer que as modernas pesquisas na Parapsicologia, tanto nos fenômenos psi quanto pki, têm indicado que mente e cérebro são diferentes muito embora relacionados entre si. Utilizando-se um símile, a mente pode ser comparada a uma estação de rádio, e o cérebro a um aparelho de rádio. A estação de rádio funciona com muitas frequências, e é bem possível que o aparelho de rádio particular seja incapaz de captar todos os programas transmitidos ao longo de todos os comprimentos de ondas. Somente porque o aparelho de rádio não é capaz de captar um determinado comprimento de onda não significa que não esteja havendo transmissão ao longo daquela frequência particular. O cérebro humano, como está constituído hoje, pode estar perdendo muitas das transmissões enviadas pela estação de rádio que é a mente humana. (...)

    Diz-se que enquanto o cérebro assemelha-se a um computador, não há computador que seja como o cérebro. O mecanismo do cérebro é por demais impressionante. Possui inteligência notável para lidar com as variadas situações da vida. Ele cuida das necessidades do corpo de uma maneira difícil de entender. 

   O bem-estar biológico do corpo está perfeitamente seguro nas mãos deste notável instrumento construído pela natureza, a saber, o cérebro humano. 

    Temos que lembrar que o cérebro humano tem dois componentes, um, o cérebro velho e o outro, o cérebro novo. O cérebro velho é a nossa herança da existência animal, ou pode ser, até mesmo anterior a isso. Mas lá está o cérebro novo, o córtex, que é o resultado da evolução humana, pertence inteiramente à humanidade, e é, portanto, comparativamente jovem. É um órgão em crescimento uma vez que a humanidade ainda está na sua infância, ou somente no estágio pós-infantil em termos de processo evolucionário. O cérebro forma uma parte muito importante em toda a história evolucionária. A evolução, como é estudada pela ciência, nos diz que o cérebro e tem sido o fator determinante no jogo da sobrevivência. (...)

    É um fato estabelecido que existe um estreito relacionamento entre mente e corpo. O predomínio das doenças psicossomáticas tem provado que mente e corpo estão intimamente ligados um ao outro. Não é apenas o fato de que a mente afeta o corpo, mas é também o fato de que o corpo afeta a mente. (...)

    Vimos na história da evolução, que durante períodos de crises físicas, as unidades de vida que possuíam maior capacidade cerebral foram capazes de sobreviver, enquanto outras, por mais fortes e poderosas que fossem em estrutura corporal, foram varridas do mapa. Assim o cérebro é o fator principal na luta pela sobrevivência biológica. No nível humano não é apenas a sobrevivência biológica que importa. Existe também o problema da sobrevivência psicológica. Mas esses dois não podem ser separados, já que a sobrevivência psicológica requer uma forte base biológica. A questão da sobrevivência psicológica tornar-se-ia insignificante se não houvesse sobrevivência biológica. É um fenômeno psicossomático. 

    A situação humana hoje em dia é tal que uma nova espécie de homem deve nascer se a presente crise de consciência tiver que ser resolvida. A nova espécie de homem certamente será fundamentalmente psicológica. Mas uma espécie psicológica não pode vir a existir sem uma mudança apropriada no nível do cérebro humano. As atividades da mente e do cérebro devem sincronizar-se, pois a nova espécie psicológica de homem deve também funcionar nos níveis físico e biológico."

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Editora Teosófica, Brasilia, 2009, págs.23/31

 


O QUE É E O QUE NÃO É MEDITAÇÃO II

    Depois de tecer vários comentários sobre o que não é meditação, como não ser ela um estado de inconsciência, ou de não escutar nenhum ruído; comentando, inclusive, sobre a repetição de certos mantras, Rohita Mehta chega no ponto em que explica o que é a atenção entre as duas respirações, que muito ouvimos de meditantes experientes, mas não compreendemos o processo. É interessante que leia o excerto, para entender como a meditação é importante na vida diária do homem moderno, uma vez que o autor nos leva a refletir que há necessidade de uma total tranformação para que possamos encontrar as soluções duradouras para a nossa existência.




 "Acredita-se geralmente que a meditação requeira concentração sobre um tema nobre e elevado. Antes de mais nada a meditação não é um processo de concentração. Um tal processo é excludente por sua própria natureza, o que implica que certos pensamentos indesejáveis e desnecessários devam ser barrados. Mas como não é possível qualquer interrupção consciente do pensamento todos os processos de concentração estão fadados a se mostrarem inúteis. A meditação também não diz respeito a qualquer tema particular. Apenas porque o tema é Deus, a Verdade, a Beleza, a Bondade, ou qualquer outro conceito nobre e elevado, nem por isso a pessoa aproxima-se um pouco sequer da meditação. Em última análise a meditação é destituída de todos os temas. Todos os temas devem ser abandonados antes de a pessoa chegar à cintilante experiência da meditação. E assim não importa onde e com que tema a pessoa comece sua meditação. Mesmo o tema mais nobre e mais elevado tem que ser abandonado antes da chegada da experiência da meditação. (...)

    O que é esse estado de não pensar nem interromper o pensamento, não resistir nem induzir, não excluir nem identificar? No antigo e profundo livro de Kashmir Saivism intitulado Vijñānabhairava, existe uma instrução dada ao estudante de meditação que diz ‘Mantém-te atento entre as duas respirações’. Mais adiante pede ao estudante para compreender o estado ‘aonde o sono ainda não chegou, mas o estado de vigília já desapareceu’. A mente do homem não consegue compreender o estado de não estar nem dormindo nem desperto. Essa não é uma condição de se estar semi-adormecido e semidesperto. É um estado onde não há nem sono nem vigília. Obviamente que esse estado refere-se a um intervalo – um intervalo entre duas respirações, um intervalo entre dois pensamentos ou entre duas experiências. A mente do homem não conhece um tal intervalo, pois sempre lança uma tela de continuidade sobre tudo que acontece. Confere continuidade a quadros que de outro modo estariam estáticos através da atuação do seu próprio mecanismo de projeção. É esse projetor que oculta o intervalo. E assim o que vemos é somente a continuidade, mas o fenômeno da vida é descontinuidade em meio à continuidade, insinuações do Não Manifesto em meio à manifestação. Se virmos apenas o movimento incessante da manifestação e jamais compreendermos a serenidade do Não Manifesto, então o movimento da manifestação estará despojado de todo significado. É através das intimações do Não Manifesto que o Manifesto passa a fazer sentido. Mas tais intimações só podem ser sentidas ou experienciadas no intervalo de descontinuidade. A percepção do intervalo chega somente ao Terceiro Olho, e é somente no intervalo que o Terceiro Olho pode ser encontrado. (...)

    Mas meditação significa apenas uma percepção do intervalo? O que acontece após a percepção? Certamente que a meditação não é uma fuga para a terra da Bem-aventurança ou Nirvana. A consciência do homem não pode permanecer sempre no momento atemporal. Ela funciona na esfera do tempo. A experiência do momento atemporal indica uma negação do processo do tempo? Se assim for, uma tal meditação não tem validade na vida diária do homem. Não pode ter relevância na solução dos desconcertantes problemas da vida. O homem que medita não é apenas o que ascendeu, ele é também o que caiu. Do momento atemporal ele deve retornar à esfera do tempo.

     O tema da meditação deve ser explorado tanto em extensão quanto em profundidade. Em sua profundidade ele fala da comunhão com o Não Manifesto – o não existente, para empregar a frase usada por H.P. Blavatsky. Mas a meditação, como é entendida em termos de extensão, refere-se à comunicação das intimações do Não Manifesto a todo o terreno da manifestação de modo que os campos ressecados da vida diária possam ser irrigados com as águas frescas da experiência transcendental e atemporal concedida naquela percepção do intervalo que verdadeiramente é o âmago da meditação. O homem espiritualizado tem que ser tanto eficaz quanto eficiente. Sua eficácia depende de como recebe as intimações do Não Manifesto, mas sua eficiência depende de sua habilidade em traduzir essas intimações para a linguagem do dia a dia do mundo. O homem moderno deve sofrer uma total transformação em sua vida se quiser encontrar soluções duradouras para os problemas desconcertantes da vida. Isso demanda o estabelecimento de um ritmo, um ritmo contínuo, entre comunhão e comunicação, entre as intimações do Não Manifesto, e suas traduções na vida diária do homem. O que é essa transformação total, e como deve o homem chegar até ela de modo que o processo de vir a ser seja constantemente inspirado pelo toque da Existência?"

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Editora Teosófica, Brasília, pg. 18/21

O QUE É E O QUE NÃO É MEDITAÇÃO I

 



    Já entendemos até agora que se a nossa mente estiver repleta de ondas de pensamentos, ela pode nos impedir que quebremos o bloqueio formado por formas pensamentos, os quais são geradores de fortes emoções e hábitos constituídos de uma matéria mais densa do plano astral, os quais nos impedem de vibrar em frequências mais elevadas.

    Ao transmutar nossas emoções e pensamentos por outras de níveis mais elevados, a mente ficará mais calma e clara, silenciando. A possibilidade de nos conhecermos melhor e entrarmos em contato com o que há de mais sagrado e divino dentro de nós é grande.

    Porém, é importante saber o que a meditação não é, pois existem muitas teorias e práticas ensinadas, como uma receita de bolo, inviabilizando essa prática que é única, uma vez que cada um encontra a sua forma, assim como vivencia suas próprias experiências.


    "Diz-se, e com razão, que a vida é relacionamento, o que implica que viver é agir. A ação é uma parte essencial da vida. Devemos agir com nas situações da vida, de acordo com o fluxo que carma nos traz. Mas a questão é: como agir corretamente? A ação correta foi definida como fazer a coisa correta, na hora correta, e da maneira correta. Este é o que, o quando e o como de todas as ações com referência aos desafios e impactos da vida. É de algum modo fácil entender o conteúdo e o padrão da ação, mas saber o momento exato para a sua execução parece extremamente difícil. Já que o tempo está num estado de fluxo constante, ou, para dizer de outra maneira, o tempo é em si mesmo o fluxo, antes que a pessoa possa tornar-se perceptiva de um momento, aquele momento mergulha no passado. E assim a questão prática é: como agir no momento correto sabendo que não se pode reter aquele momento por qualquer extensão de tempo? Mesmo se o conteúdo e o padrão da ação forem corretos, a exatidão do momento na execução da ação parece fora do alcance do homem. E todavia o sucesso de uma ação depende da sua execução no momento correto. Se o momento psicológico for perdido, uma ação, por mais nobre e perfeita que seja, deixa de produzir o resultado necessário. Como estar perceptivo do momento psicológico correto, e como agir naquele momento mesmo quando o momento em si mesmo não dura? 
    Nem é necessário assinalar que o momento correto é o momento presente, o momento intocado seja pelo passado ou pelo futuro. A mente humana no seu processo de pensamento move-se do passado para o futuro. Ela não está perceptiva do presente porque o presente é um momento eterno. A mente tem sua existência apenas no tempo, e já que o momento eterno implica na cessação do tempo, estar perceptivo do tempo requer a cessação do pensamento. É um estado onde a mente tem que realizar uma experiência de ausência de mente. Assim, uma percepção do momento presente implica na morte da mente. Desse modo, qualquer ação executada ou iniciada pela mente é uma reação seja de um passado lembrado ou de um futuro antecipado. A mente é um eterno estranho para a ação correta. As suas ações surgem dos dois opostos, passado e futuro. A pessoa só pode agir corretamente quando cessa o processo do pensamento. Esse é deveras o estado de meditação e, assim, o homem pode agir de maneira correta somente na percepção que lhe é conferida no estado de meditação. Se na meditação ocorre a abertura do Terceiro Olho, então certamente esse Olho traz a percepção daquele momento, o momento correto ou psicológico, no qual apenas a ação correta é possível. Deve-se entender que a percepção correta é a própria ação correta. O que o Terceiro Olho percebe é o Terceiro Caminho. Na percepção jaz o início da ação. No pensamento conceitual sempre existe a questão da reação. Na percepção, e, somente aí, nasce a verdadeira ação. Se tal percepção surge no momento da meditação, então a pessoa deve saber o que é meditação, qual a sua técnica, e o que ela faz para que ocorra a cessação do pensamento. 
    Mas antes que possamos compreender o que é meditação, devemos saber com clareza o que a meditação NÃO É. Existe muita confusão nas mentes das pessoas, tanto no Ocidente quanto no Oriente, referente ao tema da meditação. Isso se deve a essa confusão de que muitas práticas de meditação, mais espúrias que genuínas, estão em voga hoje em dia. A necessidade que o homem moderno tem da meditação é tão urgente que ele está disposto a fazer qualquer experimento que lhe seja sugerido no campo do Yoga e da meditação. Ele chegou ao limite de todos os seus esforços mentais e descobriu que, enquanto saía em busca de pão, tudo o que conseguia eram pedras."

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Editora Teosófica, Brasília, pg. 15/16



A TIRANIA DOS OPOSTOS III

     

    Vimos até aqui que a grande dificuldade na meditação é a mente concreta que forma um "círculo fechado de opostos", como diz Rohit Mehta, que não pode ser rompido pela própria mente.

    Mas a meditação não pode ser algo impossível de se obter, conforme nos diz Clara Codd em seu livro Meditação sua prática e resultados, Ed. Teosófica: "A meditação não é, como algumas vezes se supõe, uma arte difícil e antinatural. Ela é a gloriosa expansão e superação dos poderes normais do coração e da mente, e poder ser, em alguma medida, praticada por toda alma viva."

    Portanto, se comecarmos a aprender os movimentos que a mente concreta faz, para continuar no controle, poderemos começar a desenvolver a intuição. Sim, precisamos parar, nos observar e percebermos que algo está trabalhando e trazendo pensamentos à tona através da memória, ou está procurando nos deixar preocupados com as incertezas de um futuro próximo ou remoto. Quando a Clara Codd nos diz que a meditação é: "a gloriosa expansão e superação dos poderes normais do coração e da mente", ela está nos exortando a desenvolvermos potenciais que estão aquém da personalidade. E para isso, precisamos desenvolver o Terceiro Olho, o nosso sexto chakra, que nos dá condições de termos insights, que irá nos permitir superar os círculo fechado da mente, como diz Rohit Mehta. Mas para isso, precisamos parar, sentar, respirar, observar e refletir.


    

    "Como sabemos se existe um terceiro caminho ao longo do qual os desafios da vida podem ser eficazmente enfrentados? Qual é o caminho para sua descoberta? É bastante óbvio que o Caminho até ele não pode ser encontrado sem os limites do processo do pensamento. A não ser que ocorra uma interrupção na continuidade do pensamento esse novo caminho não pode ser descoberto. Essa quebra na continuidade pode ocorrer por apenas uma fração de segundo, ou pode ter uma duração maior. Mas a quebra é essencial, pois é apenas em tal quebra que pode ser obtida uma abertura no círculo fechado do pensamento. (...)

    O homem moderno está fortemente dilacerado pelos conflitos psicológicos interiores que são as criações da mente. É óbvio que a mente não pode resolvê-los; aliás, quanto mais ela tenta resolvê-los mais complicados eles se tornam. E assim o homem deve explorar um novo caminho que não é o da mente. A mente deve estar num estado de 'ausência da mente'*, para usar a fraseologia do Maitri Upanishad, se o homem quiser libertar-se dos conflitos intermináveis nos quais está preso. E é no estado de meditação que a mente pode entrar no estado de 'ausência da mente'. Desse modo a meditação torna-se imperativa para o homem moderno se ele quiser livrar-se das tensões, pressões e estresses da civilização tecnológica. Ele pode ignorar o caminho da meditação apenas para seu risco próprio. No círculo fechado da mente, um problema pode ser mudado, mas não resolvido.    Mas a crise psicológica que tomou conta da humanidade é de natureza tão urgente que o homem não pode mais se permitir simplesmente mudar o problema, ou buscar um simples adiamento com respeito à sua resolução. O homem deve agir e agir imediatamente, para sua própria sobrevivência psicológica. Para isso ele deve explorar os segredos e mistérios da meditação. Que segredos são esses? E como podem ser eles revelados?"

*Mind-less, no original. (N. ed. bras)

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Editora Teosófica, Brasília, 2009, pgs. 13/14

A TIRANIA DOS OPOSTOS II

 

      
    Rohit Mehta na Ciência da Meditação, no capítulo a Tirania dos Opostos, ressalta a importância de percebermos o movimento que a mente faz e sabermos que ela não soluciona nenhum problema e tampouco nos traz algo novo, quem faz isso é a Consciência.


    E todo o nosso processo mental que obstrui o processo meditativo é em relação ao tempo. Caso nos entreguemos às projeções que a mente faz, gerando culpa, mágoa ou ansiedade é um processo muito penoso para o homem, e o resultado são as obstruções energéticas, as quais são repetidas vida após vida. E, ao mesmo tempo que existe o desejo de sair dessa prisão mental, não se encontra a solução, porque ela não está no mesmo nível em que se gerou o problema. A isso, o autor chama de a tirania dos opostos: “um movimento entre os dois pontos opostos é a única coisa que a mente é capaz de sugerir. Aqui os dois pontos opostos são luta e submissão”.


    Ora lutamos, ora nos submetemos às impiedosas criações da mente e isso exaure, qual seria a solução?


 



    "As filosofias do Oriente apresentaram uma palavra diferente, carma, para indicar o fluxo do tempo. Carma é realmente o movimento do tempo, do passado e do futuro. O homem deseja obter o controle sobre esse movimento do carma, e é isso o que ele tenta fazer ao querer encobrir o movimento do tempo natural através da superimposição do fluxo do tempo criado pela mente e a partir do seu próprio pano de fundo mental de gostos e aversões, de rejeições e indulgências. Mas como vimos tal superimposição é inútil. É como esconder a cabeça na areia, como faz o avestruz, esperando que ao assim fazer a vontade existente se torne não existente. Uma tal superimposição implica em uma recusa de se ver O QUE É. É a partir da recusa que o homem engaja-se na luta da submissão. Luta-se contra aquilo que o carma traz, ou submete-se aos seus ditames esperando que ao assim fazer o futuro lhe traga alegria e felicidade. A questão é: o que mais pode o homem fazer? Além da luta e da submissão existe qualquer outra maneira de se lidar com as situações da vida? (...)
    Mas existe um Terceiro Caminho? Em caso afirmativo, o que é? Se não existe um Terceiro Caminho então o homem deve conformar-se com o fato de que o seu problema jamais poderá ser resolvido. Mas certamente não deve ser assim. Deve haver um Terceiro caminho. Porém, esse caminho não pode ser descrito; pode ser apenas experienciado. Pode ser descoberto, mas não pode ser definido. Se pudesse ser definido a mente se apossaria dele, e fomularia o seu oposto, que em termos da mente seria o Quarto Caminho. Quando isso é feito a mente pode mover-se entre os dois opostos recém-formulados, e assim uma vez mais adiar a solução dos problemas da vida. Um movimento entre os dois opostos é realmente um movimento de adiamento. E a mente está interessada em adiar a solução indefinidamente, pois só no adiamento pode a mente buscar continuidade."

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Ed. Teosófica, Brasília, 2009, pgs. 11/12
    





A TIRANIA DOS OPOSTOS - I

 

Quando saímos em busca do autoconhecimento uma das primeiras coisas que percebemos é que precisamos aprender a meditar, só o que ainda não sabemos é que a nossa mente está repleta de ondas de pensamento que irão dificultar o trabalho de encontro conosco mesmos.

Até sabemos que precisamos acalmar a mente para ficar pelo menos 15 minutos em contato com a nossa mente divina, só o que muitas vezes não temos consciência de como as formas pensamentos, as quais são a fonte de fortes emoções e hábitos arraigados há muitas vidas, nos prendem à mente concreta, nos impedindo de fazer grandes transformações e realmente nos conhecermos.

Uma das formas para se alcançar algum êxito na meditação, principalmente para os ocidentais, é conhecermos a função do cérebro, os processos mentais e ter o entendimento que existe uma mente superior que trará luz para que possamos nos conhecer e obter o verdadeiro equilíbrio entre espírito, mente e personalidade.

Dentro desse contexto, estamos postando aqui diversos excertos, de vários autores, que buscam nortear o nosso trabalho em busca de obter uma mente clara e lúcida, a qual ao refletir a luz divina nos possibilita um encontro conosco mesmos.

Já falamos um pouco sobre O que é a Meditação com a Clara Codd e, a partir de hoje, vamos pesquisar como os processos mentais nos afetam dificultando o processo meditativo, com trechos do livro A Ciência da Meditação, de Rohit Mehta.




    O homem moderno está em busca de alguma coisa que parece ter perdido. De modo bastante curioso, ele não sabe o que de fato perdeu. Porém, tem um sentimento de que falta algo em sua vida sem o quê a sua existência está destituída de significado e significação. Muitas das coisas adquiridas por ele em termos de conforto e patrimônio devem-se ao progresso da ciência e da tecnologia. Segundo qualquer padrão de história humana ele é próspero e, comparado a ele seus antecessores mais ricos devem ser considerados como abjetamente pobres. Seu conforto e prosperidade parecem não ter limites, pois não se consegue visualizar qualquer interrupção no progresso tecnológico. Todavia o homem moderno experiencia um estranho fenômeno de pobreza em meio à fartura. Isso indica um hiato profundo entre os fatores subjetivos e objetivos da vida. (...)
    Foi esse vazio interior que tornou a fartura exterior destituída de qualquer sentido e propósito. Para que servem o conforto e a conveniência se não trazem paz e felicidade ao homem? Não sabendo como remover  a pobreza interior, o homem moderno entra na corrida pela posse de cada vez mais objetos externos. Jamais houve na história humana uma lacuna tão ampla entre o interior e o exterior como hoje em dia.

Rohit Mehta, A Ciência da Meditação, Ed. Teosófica, Brasília, 2009, pgs. 9

O QUE É A MEDITAÇÃO

 

Nos textos anteriores postamos excertos de textos que nos levam a refletir sobre a natureza do homem, quem nós somos, se somos seres físicos, emocionais, mentais, espirituais, enfim, quem nós somos, afinal? Bem, somos seres espirituais, em busca de experiências nos mundos mais densos, o físico, e para isso, o mental é o que nos capacita para nos conhecermos como “ser humano”, pela capacidade que temos de discernir sobre algo. Esse é o motivo de sempre estarmos trazendo autores que nos exortam a nos conhecer e saber a dominar a mente concreta.

Anteriormente já foi falado sobre as formas-pensamento, como treinar a mente e nessas técnicas indicadas a meditação é citada por muitos autores conhecidos, como o caminho para um equilíbrio entre espírito, alma e personalidade.

Hoje, na mesma linha dos últimos textos, um pequeno excerto sobre meditação, da própria Clara Codd, em seu livro Meditação, sua prática e resultados.




    “A meditação é uma prática antiga e imemorial, realizada por todos aqueles que sempre se esforçaram por compreender as próprias possibilidades interiores e resolver o enigma do Universo. Esta pergunta atemporal é respondida somente no interior do homem, e sua evolução se encontra nas profundezas do pequeno universo que é o ser humano. A meditação é encarada basicamente como um processo mental dirigido por um fim espiritual, e isto é verdade até certo ponto. Mas ela significa muito mais, visto que o conjunto dos poderes despertos do homem é, em essência, concebido e orientado para o objetivo supremo. Ela pode ser entendida, em primeiro lugar, como pensamento sistemático e constante, e, assim, é usada por todos aqueles cujas ações são efetivas e plenas de propósito em nosso mundo cotidiano. Em outras palavras, antes de podermos produzir qualquer resultado desejado, pensamos sobre ele e o planejamos – esta ‘meditação’ preliminar pode durar uns minutos ou várias ou várias horas e irá consciente ou inconscientemente, dar forma à ação tomada. Se o pensamento intencional e constante é necessário à realização e à compreensão de metas materiais, como não o será infinitamente mais necessário às elevadas aventuras do espírito! A mente como construtora de formas, esboça o plano de ação: a emoção acompanha-a, suprindo a vida e o vigor necessários. Algumas pessoas possuem mentes capazes e pouco desejo de realização; outras possuem desejos muito ambiciosos, mas lhe faltam clareza mental e força. O sucesso vem par o homem que pode desenvolver e harmonizar ambos.

    Ver-se-á que a meditação é uma tentativa de desenvolver e utilizar estes poderes e de direcioná-los à realização de objetivos espirituais. (...) A meditação não é, como algumas vezes se supõe, uma arte difícil e antinatural. Ela é a gloriosa expansão e sublimação dos poderes normais do coração e da mente, e pode ser, em alguma medida, praticada por toda alma viva.”

Clara M. Codd, Meditação, sua prática e resultados, Editora Teosófica, 2ª Edição, p. 7/9

O TREINAMENTO DA MENTE (continuação)



    "Imaginação significa faculdade de criar imagens. Com esta força podemos encher nosso mundo interior, subjetivo. Se fecharmos nossos olhos, excluímos os objetos do plano físico, mas em vez disso, podemos ver toda espécie de idéias, figuras e cenas interiores. Olhando para trás, seguindo a torre do tempo, podemos ter memórias de pessoas, lugares e acontecimentos. Olhando torrente acima podemos ver mais quadros, quadros de esperanças, desejos e aspirações. Estas são criações involuntárias de pensamentos e desejos (Kama-manas). Mas podemos também criá-los pela vontade e pela imaginação controlada e dirigida. A imaginação não controlada pode pregar-nos uma peça. Por conseguinte, nossa imaginação deve ser controlada, dirigida, desenvolvida, até que se torne verdadeiramente criativa.
    Parte deste desenvolvimento da imaginação é o poder de visualizar. Algumas pessoas tem este poder fortemente desenvolvido. Podem facilmente se tornar psíquicas, porque os poderes de visualização são o começo da visão psíquica. Olhe atentamente para uma rosa. Feche os olhos e reproduza sua imagem. Se você está lendo uma boa história visualize-a à medida que vai avançando. Este desenvolvimento leva ao crescimento da imaginação criadora, um poder de grande uso na meditação. O desenvolvimento da imaginação nos habilita a "nos colocarmos no lugar de outro", e assim aprendemos a compreender melhor os outros.      A razão, a compreensão e a intuição devem ser desenvolvidas. Isto é feito pela prática da meditação, e também pelo pensamento e estudo paciente, cuidadoso. 
   A inteligência deve crescer e, crescendo para cima, despertar a intuição. Isto é feito pelo pensar firme e perseverante, pela emoção ardente desperta e pelo aprendizado de como enfrentar a vida. O estudo espiritual não é tanto um acúmulo de fatos (os fatos, muito frequentemente, não são o que parecem ser), mas o desenvolvimento da faculdade.
      Leia num livro bom, que exija reflexão, alguma afirmativa ou idéia. Empregue alguns minutos pensando sobre o assunto. Se isto nunca foi feito antes pode acontecer uma certa insuficiência de pensamento. Persevere. Logo começarão a fluir idéias, compreensão e inspiração. Sua mente está crescendo e atingindo outras idéias correlatas do universo. Quando você tiver pensado tão forte e tão longe quanto possa, espere, "olhando aquilo que é invisível, ouvindo aquilo que é inaudível." 
     Quando tiver chegado ao fim de um parágrafo, escreva, em tão poucas palavras quanto lhe for possível, a essência dele. Faça o mesmo com o capítulo e com o livro inteiro. Um resultado disto será o crescimento da faculdade de ver o essencial na vida como nos livros, bem como o poder de condensar e esclarecer. Muita gente com a mente não adestrada não tem o poder de se expressar com clareza e concisão, e de chegar ao essencial. Sir Francis Bacon uma vez escreveu que a leitura forma um homem completo, a palavra, um homem preparado e a escrita, um homem exato. 
   Não apenas devemos estudar livros, mas também, e ainda mais, a própria vida. (...)
     Inteligência não é o mesmo que intelectualidade. Inteligência é um poder, uma faculdade - o poder de compreender, de ver o sentido básico. Intelectualidade é o poder de acumular e lembrar fatos. É claro que o futuro ocultista torna-se um superpsicólogo.

Clara Codd, A Técnica da Vida Espiritual, Editora Teosófica, Brasília, 2013, pg. 53/55

    
   









TREINANDO A MENTE

 


    "Uma vez mais é necessário compreendermos que não somos a nossa mente. Para principiar, observe algumas vezes seus pensamentos. Deixe-os fluir e veja para onde vão. Você verificará que são extraordinariamente mercuriais, rápidos, sempre mutáveis. Eles são sempre assim, mas nós só nos conscientizamos disto observando-os. Se tomarmos parte num tráfego veloz, não percebemos quão rápido ele é; mas se ficarmos parados e o olharmos, imediatamente o fato chamará nossa atenção. 

    Note também que o pensamento pode ser provocado por um acontecimento físico ou um desejo emocional. É interessante observar como a mente é acomodatícia; como a natureza-desejo e a mente manejam-se mutuamente. Se desejarmos muito alguma coisa, a mente encontrará toda espécie de razões plausíveis para satisfazer o desejo! 

    Há dois passos preliminares para o controle da mente: atenção e concentração. Nunca faça qualquer coisa com a metade de sua mente, sonhando com outras coisas. 

    Esteja atento ao que você está fazendo e nisso empenhe-se por completo. (...) Quando, de todo o coração, agimos para o bem, fazemos descer a atenção e o poder de nosso Eu imortal. 

    É verdade que com longa prática de meditação desenvolvemos uma espécie de consciência dual. Uma parte de nossa mente está atendendo alguma coisa aqui na terra e a outra, sem cessar, olhará para o céu. Mas mesmo então nossa mente inferior controlada será exata e atenta. Na verdade, deveríamos saber o que estamos fazendo e, se possível, por quê. 

    Concentração, a habilidade de pensar sobre alguma coisa, sem desvio por um certo tempo, todos nós a praticamos naturalmente, quando muito interessados. Escolha assim um objeto de pensamento que lhe interesse. Pratique interessar-se pelo assunto do momento. 

    Devemos pensar clara e ininterruptamente sobre um objeto escolhido. O pensar sem interrupção leva à concentração. Siga uma continuidade do pensamento; faça um passeio imaginário. Este último ponto leva-nos a outra grande força da mente que pode tornar-se criativa e poderosa: a imaginação. Mas lembre-se de que a meditação, especialmente em seus primeiros estágios, é pensamento dirigido." 


Clara Codd, A Técnica da Vida Espiritual, Editora Teosófica, Brasília,  2013, pgs. 51/52

ESTADOS DE ESPÍRITO




       "Todos nós já temos passado pela experiência de estados de espírito diversos que nos acometem. Em certa ocasião, senti alegria sem saber por quê. De outra vez, me senti deprimido e pessimista. Para este último sentimento muitas razões podem ter contribuído; a má digestão, em alguma de suas formas, é a mais comum. Concorrem ainda, muitas vezes, a falta de exercício, a ausência da luz solar e do ar livre, e o excesso de trabalho noturno; mas, algumas vezes, é simplesmente a reação em nós de nossos próprios pensamentos anteriores – e outras vezes de pensamentos anteriores de outras pessoas. Pode ser devido à presença de alguma entidade astral que se ache em estado de depressão e tente comunicar suas vibrações ao nosso corpo astral. Mas, seja qual for a causa, urge afastá-la e esforçar-nos por continuar o nosso trabalho como se ela não existisse.

É, sobretudo, uma questão de sentimento o que torna difícil encará-la fria e cientificamente; mas é precisamente o que devemos procurar fazer. Esses nossos estados de espírito em nada alteram os fatos da vida. Por que então deixar-nos influenciar por eles? Nosso destino futuro está diante de nós, e não se modifica com assumirmos atitude ora otimista ora pessimista sobre o que nos espera. Por que então nos incomodarmos simplesmente por estarmos ontem aborrecidos ou porque alguma entidade astral assim também se sentiu? O lado oculto de todos esses estados de espírito mostra que eles derivam de causas diversas; mas também nos indica claramente que, sejam quais forem as causas, nosso dever é prosseguir a nossa tarefa, sem lhes dar a mínima atenção."


 C. W. Leadbeater, O Lado Oculto das Coisas, Editora Teosófica, 2017, pgs. 301

O LADO OCULTO DAS CONDIÇÕES MENTAIS (FORMAS-PENSAMENTO)

    "As pessoas também se vestem nos outros mundos, embora de maneira algo diferente. Porque no mundo astral elas constroem ao redor de si um verdadeiro traje com os sentimentos que lhe são comuns, e no mundo mental um traje análogo com os pensamentos que alimentam. Ao dizê-lo, eu desejaria que ficasse perfeitamente claro que não estou falando simbolicamente, senão descrevendo um fato objetivo – objetivo no que tange àqueles planos mais sutis. Já foi mais de uma vez explicado que nossos sentimentos e pensamentos geram formas-pensamento definidas na sua respectiva matéria, e que tais formas seguem os pensamentos e os sentimentos que as criaram. Quando são eles dirigidos para outra pessoa, as formas em verdade se movem pelo espaço em direção a essa pessoa, introduzem-se na sua aura, e com esta se fundem em muitos casos. Quando, porém, os pensamentos e sentimentos são autocentrados (o que receio deve suceder com a maioria das pessoas), as formas não passam, mas continuam se agrupando em torno daquele que lhes criou. Todo ser humano constrói para si mesmo uma concha de formas-pensamento – uma verdadeira vestimenta em seu plano; assim, todos os pensamentos e sentimentos reagem constantemente sobre ele próprio. Ele os gerou; ele os tirou de si; e situam-se agora exteriormente e são capazes de reagir sobre ele, que não tem, contudo, consciência de sua proximidade e de seu poder. Pairando à sua volta, as forças que irradiam lhe parecem vir todas de fora, e muitas vezes ele as considera como tentações procedentes de alguma fonte externa, quando o pensamento é, com efeito, somente um reflexo do seu próprio pensamento da véspera ou da semana anterior. 'Como pensa uma pessoa, assim ela é'. E deve-se isso principalmente a que seus próprios pensamentos estão mais próximos, atuando seguidamente nela, e têm assim mais oportunidade que outros de influenciá-la. 
    As constantes radiações emitidas por suas formas-pensamento impregnam os objetos inanimados que acercam, de modo que até as paredes e os móveis do seu quarto refletem sobre ela os pensamentos e os sentimentos que lhe são habituais. Se uma pessoa sentada numa cadeira em certa sala se entrega durante muitos dias a alguma série ou tipo de pensamentos, ela enche os objetos ao seu redor , a cadeira, a mesa, as próprias paredes da sala, com vibrações que correspondem a esse tipo de pensamentos. Inconscientemente, ela magnetiza os objetos físicos, que adquirem o poder de sugerir pensamentos do mesmo tipo a qualquer pessoa que ficar dentro do raio de sua influência. Muitos exemplos flagrantes disso podem encontrar-se nas inúmeras histórias que se referem a tais assuntos. Já citei o caso de várias pessoas que cometeram suicídio, uma depois da outra, na mesma cela de prisão, por se achar o lugar impregnado dessa ideia e lhe sentirem a influência, como uma força externa, que, acreditavam, os compelia a obedecer. 
    Dessas considerações emergem duas ideias principais sobre a questão dos nossos sentimentos, e que à primeira vista parecem de todo contraditórias: em primeiro lugar, que devemos ser mais cuidadosos em nossos sentimentos; em segundo, que eles carecem de importância. Mas, quando procuramos a explicação dessa aparente contradição, verificamos que ela consiste em não estarmos empregando a palavra 'sentimentos' com a mesma acepção nos dois enunciados. Devemos ser cuidadosos com os sentimentos que deixamos surgir em nós; não dar atenção aos sentimentos que, procedentes de fora, buscam fazer pressão sobre nós. Sim; mas no primeiro caso queremos dizer sentimentos originais, sentimentos-pensamentos, que promanam de nossa própria mente; no segundo, estados de espírito que acontecem, não relacionados com a nossa vontade. Estes últimos nós temos condição para afastá-los inteiramente. O estado de espírito provém de nosso pensamento de ontem, que já não podemos modificar; nossa questão se entende com o pensamento original de hoje, visto que este está ao alcance de nosso comando, e quando se insinua, nós podemos recebê-lo e adotá-lo ou podemos rejeitá-lo. E isso também é verdade quanto aos nossos sentimentos. Pretende-se que não somos donos de nossos sentimentos: é o que pensam as pessoas comuns e não compreensivas; mas tal coisa não encerra um átimo de verdade. Nós os podemos evitar e governar, se o quisermos."

C. W. Leadbeater, O Lado Oculto das Coisas, Editora Teosófica, 2017, pgs. 299/301

AS EMOÇÕES




    "Repetindo, a primeira coisa a fazermos é compreender que não somos nossas sensações. Observe-as como se movimentam, apelam, erguem-se. O mesmo corpo psíquico expressa desejo, paixão e amor. Motivado pelo simples exame superficial, o pequeno 'Eu' deseja, apodera-se, agarra alguma coisa como uma criança que quer ter um objeto. Geralmente sente-se isso próximo da cintura e indica atividade de centro de força, ou chacra, chamado plexo solar. O Amor menos pessoal, Divino, é sentido no chacra do coração. As emoções 'inferiores' são de um comprimento de onda de vibrações mais lentas, mais grosseiras do que as ondas dos sentimentos mais 'elevados', e tendem a se deslocar para a parte mais baixa da 'aura' radiante e interpenetrante que nos cerca. Possivelmente está aí a origem do costume cristão de se ajoelhar em oração ou prece, e do avental maçônico que simbolicamente separa a parte inferior. As emoções mais elevadas brilham na parte superior da aura. A aspiração mais elevada aparece acima da cabeça. 
    Os 'pecados mortais' da luxúria e avidez são sentimentos aquisitivos, possessivos; a ira é a explosão do pequeno eu quando é frustrado ou rejeitado. Isso pode ser facilmente visível nas criancinhas, pois atravessam, nos primeiros anos, um resumo da evolução da raça passada. As crianças, salvo exceções, são naturalmente ávidas, egoístas, sem consideração, possessivas. Não são ainda bastante crescidas para 'dar'. É lamentável, mas muita gente nunca cresce e continua pela vida afora tomando, exigindo. (...)
    Note uma coisa sobre o desejo. Ele nos impele até que cedemos e o satisfazemos. Mas não acaba aí; ele se ergue muitas vezes, mais forte do que nunca, exigindo sempre mais. O desejo nunca é vencido pela satisfação. Se tivermos suficiente vontade e coragem para suportar a dor de uma negativa ao desejo, ele aos poucos para e não nos incomoda mais. 
    A paixão é uma forma muito forte de desejo. Muitas pessoas sabem o quanto é difícil é controlá-la e dominá-la. Mas se as paixões forem fortes e incontroláveis no homem, elas o impedirão de atingir o Reino dos Céus aqui na terra. 
    Entretanto a melhor maneira de lidar com as paixões não é pensar constantemente nelas e lutar contra elas, a não ser quando é necessário. 
  Vamos, aos poucos, expulsando-as de nós, cultivando desejos e emoções mais elevados, mais nobres e desprendidos. O amor à beleza e a resposta à amabilidade, a generosa apreciação da delicadeza da alma dos outros, a ausência de inveja, o verdadeiro cuidado com a felicidade e bem-estar dos outros, a doação de nós próprios e daquilo que nos pertence àqueles que necessitam, as ainda mais elevadas faculdades de veneração, adoração, a abnegada orientação de nós mesmos para a Eterna Beleza e para o Eterno Amor, tudo isto, cultivado e crescendo em nós, extirpará lenta e seguramente os desejos inferiores."

Clara Codd, A Técnica da Vida Espiritual, Editora Teosófica, Brasília,  2013, pgs. 43/45

A OPORTUNIDADE

              

        

        
               "As pessoas mais sensíveis e observadoras sentem, há algum tempo, que o mundo está passando por uma mudança. Mas até o homem comum está percebendo que o PLANETA está mudando, não só no clima, mas na vibração, nas expectativas e atitudes das pessoas. Um número crescente de homens e mulheres, em meio à “luta pela sobrevivência”, sente que o mundo exterior, que tanto nos atrai, não mais satisfaz inteiramente os anseios mais íntimos do coração. Mais cedo ou mais tarde, descobrem que o elemento que falta é a dimensão espiritual. Para muitos esse é o começo da grande virada, o início da busca espiritual.

Essas pessoas, abençoadas com diferentes intensidades de insatisfação espiritual, começam então a buscar o que sentem estar faltando para alcançar seu senso de realização, plenitude, paz e felicidade. Para muitos, a busca inicial pode não ser estritamente por um propósito espiritual. O sofrimento devido a problemas com a saúde própria ou de um ente querido pode ser o motivo de muitos. Outros podem estar abalados com a perda de uma pessoa amada, seja pela morte ou por uma separação. Nesses casos o “buscador” tende a procurar alívio para a sua dor. Geralmente passam a buscar ajuda em instrumentos externos, como curadores, instrutores, profissionais de coaching ou grupos de autoajuda.

Essa primeira etapa será útil para mostrar ao sofredor que dispomos de maneiras, ao nosso alcance, para superar o sofrimento. Essa pode ser a primeira oportunidade que tiveram para se dar conta de que existem diferentes dimensões e planos da natureza com seus respectivos “habitantes” dotados de energias que lhes são próprias, mas que podem ser direcionadas para o nosso benefício. Chegará o momento em que entenderão que o auxílio exterior foi muito útil na etapa de dor intensa pela qual passaram. Porém, que a verdadeira busca espiritual demanda um processo de autotransformação. Nele os auxiliares externos são importantes “atores coadjuvantes”, mas que ele mesmo, o buscador, deve ser o ator principal do drama de sua “busca espiritual”.

Porém, quando a pessoa realmente começa a 'busca', soa o alarme instalado pelo 'oponente' da alma. O ego é avesso às mudanças, especialmente as que estão relacionadas com a busca espiritual. Esse 'inimigo da alma' sabe que a melhor maneira de anular o interesse espiritual não é combatê-lo diretamente, mas diluí-lo ou redirecioná-lo para objetivos secundários de tal forma que o interesse inicial venha morrer de inanição.

A mente do buscador começa então a investigar tudo o que encontra na literatura de seu grupo ou instituição e também das grandes tradições. E essa literatura é vasta. Depois de algum tempo de muita leitura, o entusiasmo do neófito começa a arrefecer. Ele sente que nunca vai dar conta de ler e realmente entender Os Vedas e os Puranas, a Bhagavad-Gitā, os Yoga-Sūtras de Patañjali, a literatura sobre a Cabala, as obras dos místicos, os textos gnósticos e A Doutrina Secreta, para mencionar algumas obras mais conhecidas, sem contar com as obras de sua própria linha ou tradição. Enfim, a lista é longa e o tempo é curto. Quando não encontram um verdadeiro instrutor espiritual, ou uma instituição de apoio séria, acabam desistindo.

Os buscadores mais determinados e maduros, com um interesse natural pela leitura e os estudos, enfrentam outro desafio. Depois de muitos anos de pesquisas, os mais determinados e talentosos seguidamente se deixam iludir, acreditando que o conhecimento intelectual da literatura é sinônimo de progresso espiritual. Não é raro encontrarmos 'enciclopédias ambulantes' sobre a literatura espiritual, que se tornam líderes de grupos, mas que, cedo ou tarde, passam pela frustração de ver esses grupos se dispersarem na medida em que os participantes descobrem que o discurso e a prática de seus orientadores são coisas diferentes. Erudição não é sinônimo de espiritualidade. A mera erudição é equivalente a uma decoração intelectual da personalidade. É linda para ver e ouvir, mas não satisfaz o coração do buscador sincero. (...)

Na tradição cristã, infelizmente o buscador leigo não encontra com facilidade uma prática sistemática devotada à vida espiritual. A obra, Imitação de Cristo, atribuída a Thomas à Kempis, cônego regular alemão do século XV, tem servido de orientação principalmente nos mosteiros católicos. Imitação de Cristo é uma obra clássica da “via negativa”, que prega instruções radicais, tanto de atitudes como de práticas supostamente visando à purificação. Os místicos geralmente encontram nos mosteiros vasta literatura bem como orientadores experientes, sendo que os mais avançados conseguem receber as orientações necessárias diretamente de seu Mestre interior durante suas práticas de contemplação.

Mas o buscador leigo sente-se frustrado, pois as igrejas estão orientadas para oferecer condições e instruções para a vida devocional e não para a vida espiritual. Ao cristão é ensinado que o importante é CRER que Jesus morreu na cruz para salvar todo bom cristão. E quem é um bom cristão? Aquele que crê nas doutrinas e nos dogmas da Igreja, que obedece ao clero, vai à missa ou ao culto semanal e não se esquece de pagar o dízimo. Se ele ou ela for um bom fiel ou crente, sua salvação já está garantida. Para que, então, preocupar-se com uma suposta 'vida espiritual'?

Não é de se estranhar que milhares de buscadores de origem cristã acabem procurando em outras tradições, especialmente no Yoga, no Budismo, no Hinduísmo, na Cabala e na Teosofia as orientações que estão procurando e não encontram em sua própria tradição. (...)

Raul Branco, a Essência da Vida Espiritual, Editora Teosófica, Brasília, 2018, pgs 15/16  

OS CHAKRAS SEGUNDO GICHTEL

 



    "Gichtel, que nasceu em 1638, em Ratisbon na Bavária, estudou Teologia e Direito e exerceu a Advocacia. Porém, em seguida, se tornando consciente de um mundo espiritual interior, abdicou de todos os interesses mundanos e se tornou o fundador de de um movimento místico cristão. Sendo oposto à ortodoxia ignorante de seu tempo, ele chamou para si o ódio daqueles que ele atacou. em aproximadamente 1670, ele foi consequentemente banido, e sua propriedade foi confiscada. Ele finalmente achou refúgio na Holanda, onde viveu pelos remanescentes quarenta anos de sua vida.
    Ele evidentemente considerou as figuras impressas em seu Theosophia Practica como sendo de natureza secreta. Pelo visto, elas foram mantidas dentro de um pequeno círculo de seus discípulos por um número significativo de anos. Elas eram, diz ele, o resultado de uma iluminação interior, presumidamente daquilo que em nossos tempos modernos nós chamaríamos de faculdades clarividentes. Na folha de rosto de seu livro, de seu livro ele diz que eles são 'Uma pequena exposição dos três princípios dos  três mundos nos homens, representados em claras figuras, mostrando como e onde eles têm seus respectivos centros no homem interior; de acordo como que o autor observou nele mesmo em contemplação divina, e o que ele sentiu, saboreou e percebeu.' (...)
    O interessante da foto para nós, no entanto, não está na interpretação do autor, ma no fato de que ela mostra, sem nenhum engano, que ao menos alguns dos místicos do século dezessete sabiam da existência e da posição dos sete centros ou chakras no corpo humano.
    Mais evidências do conhecimento antecipado sobre estes centros de força existem nos rituais da Maçonaria, cujos pontos relevantes vêm até nós de tempos imemoráveis. Os monumentos nos mostram que estes pontos eram conhecidos e praticados no Egito antigo e foram passados fielmente aos dias presentes. Maçons os encontram entre seus segredos e, ao utilizá-los, eles, na realidade, estimulam certos centros na ocasião e para o propósito de seu trabalho, embora eles geralmente saibam pouco ou nada do que está acontecendo além do alcance da visão normal."
    


* imagens postadas pelo Blogger.
C.W. Leadbeater, Os Chakras, Ed, Teosófica, Brasília, 2020, pgs. 38/41


AS ADVERSIDADES


 
"A adversidade não vem para nos destruir ou punir, mas sim como uma ajuda para despertar a invencibilidade que existe na alma. (...) As dolorosas provações que enfrentamos são apenas a sombra da mão de Deus, estendida para nos abençoar. O Senhor está muito ansioso para nos tirar de maya, este atribulado mundo da dualidade. As dificuldades que permite que enfrentemos são necessárias para apressar nosso retorno a Ele."

Sri Daya Mata, No Silêncio do Coração, Self-Realization Fellowship, 2009, pg. 99.

A IMPORTÂNCIA DA VONTADE



    "A vontade é o fator de suprema importância em todo trabalho oculto de crescimento espiritual. O poder criador mágico de 'Kriyashakti' é a força de 'concentração do pensamento e da vontade'. Força de vontade não somente significa a habilidade de escolher, mas também a de permanecer no caminho escolhido, de perseverar. 
    Este poder é frequentemente um dos pontos mais fracos na constituição do homem moderno. Toda a tendência de nossa vida moderna suave e confortável é o solapamento da vontade e da capacidade de resistência. A inteligência para ver o melhor caminho e a vontade firme de continuar trilhando-o são necessidades absolutas para o sucesso em qualquer empreendimento, material ou espiritual. 
    A posse do poder da vontade não é um dom do alto. Se alguém o possui é por tê-lo desenvolvido por si mesmo, em vidas passadas. A grande maioria dos homens é mais ou menos deficiente neste particular. Mas ele pode ser desenvolvido."

Clara Codd, a Técnica da Vida Espiritual, Ed. Teosófica, Brasília 2013, og. 25

O LADO OCULTO DA LEITURA E DO ESTUDO

    


        "Há um lado oculto em todo ato da vida quotidiana; muitas vezes, conhecendo-o, nós podemos cumprir mais perfeitamente ou mais utilmente esses atos diários.
            Vejamos, por exemplo, o caso da leitura. 
     Falando em termos gerais, é com duas finalidades que nós lemos: o estudo e o passatempo. Olhando-se com a visão clarividente para uma pessoa que esteja lendo e estudando, poderemos ficar surpresos em ver como penetra pouca coisa da real significação do que está escrito, na mente do leitor. Em um livro que seja cuidadosamente escrito com objetivo de estudo, cada proposição ou cada parágrafo contém geralmente uma exposição clara de uma ideia definida. Esta ideia se expressa como uma forma-pensamento, cujos contornos ou dimensões variam com o assunto. Mas, seja ela pequena ou grande, simples ou complexa, é pelo menos nítida e precisa quanto à sua espécie. Em geral é rodeada de várias formas subsidiárias, que são as expressões de corolários ou deduções necessárias daquilo que se expõe. Pois bem: uma imagem exata de tudo isso, que é a forma-pensamento do autor, deve construir-se na mente do leitor, seja imediatamente, seja por graus. Que as formas indicativas de corolários possam igualmente aparecer depende da natureza da mente do estudante – conforme seja ele ou não apto a perceber rapidamente tudo o que deflui de determinada ideia. 
    Como regra geral, em um bom estudante a imagem da ideia central reproduzir-se-á com muita exatidão no mesmo instante, e as imagens ao redor lhe surgirão, uma por uma, quando o estudante revolve a ideia na mente. Mas, infelizmente, com muitas pessoas até mesmo a ideia central não se apresenta bem. Menos desenvolvidas mentalmente, não podem fazer uma reflexão nítida, e criam uma espécie de massa amorfa e incorreta, em vez de uma figura geométrica. Outras criam algo que se reconhece ser a mesma forma, mas com arestas e ângulos embotados ou com uma parte inteiramente fora de proporção com o resto – uma imagem mal desenhada, em suma. 
    A outros sucede construírem uma espécie de esqueleto, significando que aprenderam os traços gerais da ideia, mas se revelam ainda incapazes de lhe dar vida ou de preencher algumas de suas minúcias. Outros – e talvez a classe mais numerosa – tocam um lado da ideia e não o outro, e assim constroem a forma somente pela metade. Há ainda os que percebem um ponto e esquecem todo o resto, gerando desse modo uma figura que pode ser exata nesse ponto, mas não é reconhecível como uma reprodução da do livro. Todos eles, no entanto, afirmarão haver estudado o livro; mas, se lhes pedirmos que nos reproduzam de memória o seu conteúdo, as tentativas nesse sentido pouco terão de comum com o assunto. 
    Em primeiro lugar, isso quer dizer falta de atenção. Essas pessoas, é de presumir, leem as palavras, mas as ideias que estas exprimem não se fixam em suas mentes. Muitas vezes, ao clarividente é fácil perceber a razão, pois verá o corpo mental do estudante ocupado com meia dúzia de assuntos ao mesmo tempo. Os trabalhos de casa, os aborrecimentos de negócio, a lembrança de um prazer recente ou a expectativa de um próximo, um sentimento de fadiga e de enfado por ter de estudar e o desejo de chegar ao momento final da meia hora de estudo, tudo absorve nove décimos da matéria do corpo mental do leitor, fervilhando no seu cérebro, enquanto o pobre décimo restante faz um desesperado esforço para aprender a forma-pensamento que ele pretendia assimilar do livro. Em tais circunstâncias, é natural que não se possa esperar nenhum benefício real; e, para resumir, seria provavelmente melhor que ele não tentasse estudar. 
Assim, do exame deste lado oculto do estudo ressaem certas regras definidas que seria conveniente o estudante observar. Primeiro. Começar esvaziando a mente de todos os demais pensamentos, não permitindo que a eles retornem enquanto não terminado o estudo. Libertar a mente de todas as preocupações e perplexidades, concentrando-se totalmente na matéria em estudo. Ler o parágrafo lenta e atentamente, fazendo uma pausa para ver se a imagem está clara em sua mente. Depois, prosseguir na leitura com o mesmo cuidado, vendo se as linhas adicionais se ajustaram à sua imagem mental. Repetir a leitura até sentir que se assenhoreou completamente do assunto, e que nenhuma ideia nova a esse respeito foi imediatamente sugerida. Isso feito, pode utilmente ver se lhe é possível encontrar algum dos corolários, se pode rodear sua forma-pensamento central de planetas subordinados. 
    Durante todo esse tempo, insistirá uma multidão de outros pensamentos em serem admitidos; mas, se o nosso estudante é digno deste nome, os afastará energicamente, conservando a mente fixada exclusivamente no assunto. A forma-pensamento original que descrevi representa a concepção do autor, tal como ele escrevia, e sempre é possível, mediante um estudo acurado, manter assim contato com a mente do autor. Não raro pode este ser alcançado através de sua forma-pensamento, obtendo-se informação suplementar ou fazendo-se luz em pontos difíceis. Comumente não pode o estudante, a menos que seja altamente desenvolvido, entrar em consciente comunicação com o autor, ao ponto de realmente trocar ideias com ele; qualquer ideia nova provavelmente aparecerá como sua própria, porque vem sempre de cima para o seu cérebro, tanto quando é sugerida de fora como quando se origina em seu próprio corpo mental. Isso, porém, não importa, desde o instante em que o estudante adquira uma compreensão clara do objeto."

C. W Leadbeater, O Lado Oculto das Coisas, Ed. Teosófica, Brasília, 2017, pgs. 267/270

INSIGHT

    



 "O que é 'insight'? Pode-se procurar a palavra nos dicionários, mas, neste contexto, podemos concluir que significa ter a 'percepção direta' de algo ou alguém.Trata-se de uma visão interior, semelhante à tomada de consciência e próxima de uma intuição, um pouco mais do que isso. A intuição é um lampejo de entendimento, mas quando há insight, descobrimos a sabedoria interior, sem palavras. O mais profundo em nós está além da expressão.

    Como o insight é desenvolvido? Pode desenvolvê-lo ponderando sobre definições ou enigmas e praticando atenção plena e a meditação. A prática e a sinceridade podem ser os fatores mais importantes aqui.

    Um mestre Zen disse: 'Uma palavra é como um dedo apontando para a lua, mas o dedo não é a lua.' Se o homem possui tal estado interior capaz de ver a lua, então o dedo cumpriu sua tarefa. Mas aquele que fixa o olhar no dedo, terá errado.

    O insight pode também ser desenvolvido pelo reto viver e por meio de experiências significativas. As experiências significativas começam onde as palavras terminam. É possivel experimentar a vida de maneira positiva, brilhante e verdadeira. Este é o caminho para a consciência universal. (...)

    Temos a tendência de buscar encontrar soluções e esquemas formais. Eles proporcionam uma sensação de segurança. Mas a Realidade não os reconhece. Tudo é novo de momento a momento. A verdade real nunca é resolvida pelo intelecto ou pelas definições. A verdade está por trás de todas as nossas definições. O mais profundo em nós está além de toda expressão, mas nossa tarefa é encorajar o encontro com o insight e a Verdade.

    Nossa regeneração interior não presume um novo mundo ao nosso redor. De certa forma, trata-se do mesmo mundo e, ainda assim, na verdade, trata-se de um mundo completamente novo, pois nosso relacionamento com ele é novo."

Marja Artamaa, Das Definições ao Insight, Revista TheoSophia, Ano 109, publicação da Sociedade Teosófica no Brasil